Lançada em junho no Rio Grande do Sul, a campanha Máscara Roxa permite que mulheres vítimas de violência doméstica façam a denúncia de forma sigilosa em mais de 1300 estabelecimentos. A campanha é uma iniciativa do Comitê Gaúcho ElesPorElas, da ONU Mulheres. Todos os estabelecimentos que aderiram estão com o selo “Farmácia Amiga das Mulheres”, que tem o objetivo de facilitar a identificação das farmácias participantes. Os atendentes dos estabelecimentos receberam capacitação online para o procedimento e para garantir a segurança das mulheres que buscarem o serviço.

Ao chegar na farmácia, a vítima deve pedir por uma máscara roxa, que é a senha para que o atendente saiba que se trata de um pedido de ajuda. O profissional dirá que o produto está em falta e pegará alguns dados para avisá-la quando chegar. Após, o atendente da farmácia repassa os dados para a Polícia Civil, para que o órgão tome as medidas necessárias. Cinco redes de farmácias já aderiram à campanha: Agafarma, Farmácias Associadas, Vida, Tchê Farmácias e Preço Mais Popular. Até o momento, farmácias de 10 municípios gaúchos já receberam denúncias, em Venâncio Aires, Bento Gonçalves, Casca, Pinhal, Capão da Canoa, Vitória das Missões, Rio Grande, Pelotas, Capão do Leão e Porto Alegre.

A ONU orientou os países membros a estabelecerem políticas de enfrentamento à violência contra a mulher, oferecendo meios alternativos de denúncia. A campanha também foi motivada pelo aumento de casos de feminicídio desde o início da pandemia. Nos meses de março, abril e maio, 28 mulheres foram assassinadas por questões de gênero, de acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado. Somente em abril, o aumento foi de 66,7% em relação ao mesmo mês do ano passado. Ao todo, de janeiro a junho deste ano, 51 mulheres morreram vítimas de feminicídio no estado. No Brasil, o número de feminicídios cresceu 22,2% nos meses de março e abril, em 12 estados, em comparação ao mesmo período de 2019, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.