Manchete do Diário Catarinense de ontem é um tapa na cara de quem trabalha na iniciativa privada, paga seus impostos e não vê retorno do Estado nem mesmo em serviços básicos como saúde, educação e segurança. Nada menos do que R$ 50 milhões do nosso rico dinheirinho é torrado todo o ano com o auxílio-moradia pago aos doutos desembargadores, juízes, procuradores, conselheiros, auditores e, claro, deputados estaduais.

São até R$ 4,3 mil depositados religiosamente na conta de cada um dos 1.208 integrantes da elite do funcionalismo público catarinense. Este valor é somado ao salário. Sem o dito auxílio, o mínimo que qualquer um deles recebe é R$ 22,5 mil por mês, mas pode chegar a R$ 30,4 mil. Na prática, é uma fórmula legal – mas imoral – de aumentar os vencimentos incorporando penduricalhos.

Agora, você que está aí lutando para pagar as contas do mês em meio a uma senhora crise econômica me explica: é justo pouco mais de mil pessoas receberem quase o dobro da média da remuneração dos catarinenses, que é de R$ 2,5 mil? Detalhe: isso é somente para o probo servidor pagar… aluguel. Ao menos oficialmente.

Sim, caro leitor, porque esta é a finalidade do auxílio-moradia. Subsidiar a residência dos integrantes do topo da cadeia alimentar enquanto estão fora de seus domínios, leia-se domicílio-sede. Mas o que cada um faz com o dinheiro, impossível saber.

Só a título de comparação: com R$ 4,3 mil por mês é possível alugar um apartamento na Beira-Mar Norte com quatro quartos, suíte, 185 metros quadrados e duas vagas na garagem com vista para o mar, conforme site de locação de imóveis. E olha que estamos falando de uma das áreas mais caras do país. Imagina pelo restante do Estado o que dá para bancar com esta bolada mensal.

Em pleno século 21, num país mestiço, os maiores beneficiados com o dinheiro público ainda são basicamente a senhores caucasianos com sobrenomes compostos. O mesmo perfil que se perpetua no Brasil há mais de 500 anos.

Fonte: Rafael Martini